“Enfim, da mesma forma que os caminhos especiais dos místicos e dos mártires, também a vida diária no mundo possui sua mística secreta e seu martírio silencioso. A alma morre com Cristo e desta maneira torna-se “conforme à cruz” não apenas no exercício espiritual, e também não só quando sofre publicamente o martírio, mas já nas dores da vida diária e nos sofrimentos de amor. É tão clara a historia do Cristo sofredor e abandonado que nela os sofrimentos e angustias de toda pessoa que ama encontram lugar e aceitação. E se nela encontram lugar e aceitação, não é para se eternizarem, mas sim para serem transformados e curados. O sofrer-com-Cristo abrange também as dores incompreendidas de uma criança e o sofrimento sem consolo de pais desamparados. Abrange as decepções e as depressões da vida publica dos fracos e dos pequenos. Abrange também os sofrimentos apocalípticos ainda não experimentados. Por haver aceito todo o juízo de Deus, não há nada que lhe permaneça estranho, como também não há nada que possa alienar uma pessoa de Cristo. Por isso a experiência do Cristo ressuscitado, do “Cristo em nós”, não existe apenas nos píncaros da contemplação espiritual, e não apenas quando experimentamos os abismos da morte, mas já nas pequenas experiências do sofrimento suportado e transformado. Quem ama morre muitas mortes. O viver-com-Cristo anima-nos a continuar vivendo e a ressurgirmos no amor. Fortalece a resistência dos fracos e dos pequenos quando os fortes tentam intimida-los. Confere-lhes forças criadoras onde já não enxergaríamos mais a mínima possibilidade”.
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MOLTMANN, Jürgen. “O Espírito da Vida: Uma Pneumatologia Integral”. Ed. Vozes, 1998. Pág. 200.
***Jürgen Moltmann é um dos maiores téologos vivos (se não o maior) da atualidade. Caso você tenha Orkut, não deixe de dar uma passada na comunidade Jürgen Moltmann.










